A História dos 60 anos do “Massacre do Paralelo 11”

60 anos de impunidade do genocídio contra Cintas-largas em Rondônia e Mato Grosso.

Na década de 1960, os seringalistas Antônio Mascarenhas Junqueira e Hélio Palma de Arruda, proprietários da empresa Arruda e Junqueira & Cia. Ltda, foram acusados de ordenar o extermínio de indígenas cintas-largas na Amazônia, em um caso internacionalmente conhecido como “Massacre do Paralelo 11”.

Entre outubro e novembro de 1963, o episódio chocante envolveu violência extrema, com relatos imprecisos sugerindo que cerca de 3.500 indígenas foram assassinados. Segundo um depoente contemporâneo, que prefere não se identificar, Antônio Junqueira era conhecido por sua crueldade e utilizava métodos brutais, incluindo a obtenção de metralhadoras nazifascistas, para eliminar os indígenas na região do Paralelo 11.

A motivação por trás desse genocídio estava ligada à exploração do látex e a acordos ilegais de terras. Os terríveis métodos empregados incluíram envenenamento com arsênico, dinamites lançadas de avião e ataques com metralhadoras e facões. O objetivo era ratificar negócios ilícitos de terras entre a prefeitura de Aripuanã (MT) e uma empresa norte-americana interessada em minerar cassiterita em território indígena.

O massacre ocorreu nas cabeceiras do Rio Aripuanã, atualmente sob a jurisdição de Vilhena (RO), embora o município tenha sido estabelecido apenas em 1977. Apesar de não fazer parte de Vilhena, o Paralelo 11 corta Rondônia de leste a oeste, não passando pela cidade. O relatório Figueiredo, encomendado pelo Governo Federal, detalha crimes contra indígenas de 1950 a 1968, incluindo o Massacre do Paralelo 11.

Antônio Junqueira foi apontado como suspeito, acreditando que os cintas-largas atrapalhavam seus negócios e representavam uma ameaça. Esse caso, embora notável, foi parte de um cenário mais amplo de violações dos direitos humanos em todo o Brasil, como revelado pelo relatório.

MPF busca Justiça para Povo Cinta Larga após Massacre do Paralelo 11

O Ministério Público Federal (MPF) está lutando por justiça em nome do povo indígena Cinta Larga, que enfrentou graves violações de direitos humanos durante o Massacre do Paralelo 11, em 1963, entre Rondônia e Mato Grosso. Estima-se que cinco mil indígenas, incluindo crianças, foram vítimas desse trágico evento.

O MPF moveu uma ação civil pública contra a União, a Funai e a empresa Arruda Junqueira e CIA Ltda, buscando medidas de reparação. Isso inclui o pagamento de pelo menos R$ 1 milhão de indenização pelos danos causados aos Cinta Larga, além da publicação de materiais que contem a história do que esse povo passou nos anos 1960, especialmente durante o Massacre do Paralelo 11.

O MPF destaca que desde o primeiro contato com não índios, o povo Cinta Larga enfrentou ataques à sua dignidade. A busca por justiça visa restaurar a memória desses eventos, tornando-os conhecidos para formar uma consciência social e evitar que tais tragédias se repitam.

Impunidade e Injustiça 

O Observatório Socioambiental de Rondônia, com exclusividade, foi em busca da ação civil pública (ACPCiv 1001429-58.2022.4.01.4103) ajuizada pelo MPF X União Federal e outros. A ação tramita na Subseção Judiciária de Vilhena (RO), na Justiça Federal.

A empresa ARRUDA JUNQUEIRA E CIA LTDA sequer foi encontrada para fazer parte da ação. 

O pesquisador Vinicius Miguel (UNIR e Ecoporé) aponta que, “ainda que horrendos episódios tenham ocorrido há 60 anos, se vê um histórico de apagamento da memória do genocídio em questão. Não menos, há a impunidade em todos os sentidos, sem a responsabilização pelos danos causados, ao povo Cinta Larga”.

Fontes:

Sala de Imprensa do MPF: MPF pede reparação histórica ao povo indígena Cinta Larga em função do Massacre Paralelo 11

Olivar, J. Portal Amazônia: Os 60 anos do Massacre do Paralelo 11

Survival: Relatório ‘perdido’ expõe genocídio de índios brasileiros

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